A árdua tarefa de substituir...

No mundo da música nós sempre temos as trocas... sejam elas de baterista, baixista, guitarrista, tecladista, enfim... mas instrumentos à parte, é quase 100% os casos em que os vocalistas são as trocas mais notadas e comentadas pelos fãs. Vamos pegar exemplos numa banda clássica, a mais clássica do heavy metal. No Iron Maiden, comenta-se mais a saída de Adrian Smith para a entrada de Janick Gers, ou a saída de Bruce para a entrada Blaze? Enfim... não são raros os casos do "substituto" ter se fodido legal... mas também não são raros os casos em que o "substituto" virou o preferido!
Já que falamos de Iron Maiden, vamos começar por eles... Após os dois primeiros álbuns de estúdio, problemas internos tiraram o vocalista Paul Di'anno da banda. Em seu lugar entra o jovem vocalista da banda Samsom, chamado Bruce Dickinson. Será que alguém imaginaria que esse cara hoje seria praticamente endeusado? Bruce, em seus primeiros shows pelo Maiden, teve que "aturar" bandeiras com o nome "Paul Di'anno" pelo público... mas poucos meses mais tarde, Bruce já estava "nas graças" dos fãs. Afinal, nos três primeiros anos de Bruce no Maiden, foram lançados "The Number of The Beast" (1982), "Piece of Mind" (1983), e "Powerslave" (1984). Nem precisaria mais de nada, né? Pois é, mas ele seguiu até 1993 na banda... Aí é que veio a polêmica maior em se tratando de Iron Maiden. Em 1993 Bruce deixa o Maiden, e um tempo depois é anunciada a entrado do novo vocalista: Blaze Bayley. Blaze foi odiado logo de cara. Blaze não tinha nem o talento, nem o carismo de Bruce, e durou cinco anos na "donzela de ferro". Blaze foi demitido no final de 1998 após a turnê sul-americana ao lado do Helloween... foi demitido, e assim Bruce retornou ao posto onde foi Rei, e continuará sendo. Uma coisa legal a ser notada, é que anos após a fase Blaze ter tido fim, os fãs do Maiden finalmente compreenderam os dois álbuns do Maiden com Blaze ("The X-Factor" e "Virtual XI"), e hoje muitos consideram um ou outro como um dos melhores da banda. Inclusive este que vos escreve.
E por falar em Helloween, é nessa banda onde outro caso "notável" de substituição ocorreu... primeiro Kai Hansen desiste de cantar, e se concentrar só na guitarra, pra vocalista é chamado Michael Kiske, um (naquela época) jovem garoto que soltava agudos como ninguém... (os Keepers I e II são capazes de quebrar janelas!), porém após alguns anos e quatro álbuns de estúdio, Michael Kiske é expulso da banda, e pra seu lugar vem Andi Deris. Andi Deris, como Blaze Bayley no caso anterior, não tinha (e continua sem ter) a mesma "potência" que Kiske, porém ele tem muito carisma no palco. A primeira fase de Andi na banda é ótima, e o público do Helloween, embora muitos (arrisco a dizer a maioria) prefiram Michael Kiske, soube e sabe respeitar Andi Deris, que cavou e conquistou seu espaço. Pena que agora o Helloween entrou nessas ondas de Keeper of The Seven Keys III e tal...
Aqui no Brasil tivemos nos últimos dez anos, mudanças de vocalistas nas duas bandas mais famosas lá fora... Angra e Sepultura.
No Angra, Andre Matos (junto com mais dois integrantes) pulou fora do barco, e pra seu lugar veio Edu Fiasco. Edu conquistou seu espaço em pouco tempo, e hoje já tem uma parcela grande fãs que prefere a sua fase. Mas as suas atitudes como pessoa, fazem muita gente desgostar dele. Andre seguiu sua carreira com o (excelente) Shaaman, e agora vai engatar uma (ótima, espero) carreira solo.
No Sepultura, o ponto de separação foi o mesmo: problemas com advogados, e etc. Só que o buraco do caso Sepultura era mais embaixo, a empresária do grupo era a esposa do então vocalista Max Cavalera. Max saiu, e montou o Soulfly. Em seu lugar veio Derrick Green, que embora tenha muitos fãs, na minha concepção ele ainda não adquiriu firmeza no "cargo". E como eu já escrevi num dos primeiros posts deste mesmíssimo blog, acredito que a era Derrick esteja chegando ao fim logo. Para a volta de Max, claro.
O Van Halen é um caso legal pra escrever aqui também. Van Halen começou com Dave Lee Roth com seis discos maravilhosos e essenciais na coleção de qualquer ser humano. Depois desses seis álbuns, Dave sai da banda, e em seu lugar vem Sammy Hagar. Sammy, que divide com Dave a parcela de "Fases preferidas" do Van Halen, ficou por anos na banda, lançando seis álbuns, um deles ao vivo. Depois disso, Sammy saiu da banda. Rapidamente Dave Lee Roth voltou pro VH, e juntos gravaram duas músicas, e não passou disso. Dave fora novamente. Após isso, entra Gary Cherone, e com ele o VH lança "Van Halen III", álbum que é preciso um tempo para compreender... mas muitos fãs (inclusive este que vos escreve) consideram ele como um dos melhores da banda. Gary, digamos, foi "bem" aceito pelos fãs, mas não "conquistou" os fãs, se é que consegui me fazer entender agora. Alguns anos após a saída de Gary, o Van Halen anuncia a volta de Sammy Hagar, que não durou mais do que uma turnê e três músicas novas. E agora Van Halen anuncia a volta de Lee Roth... mas bem, deixamos o Van Halen por aqui, afinal, o post anterior foi somente deles.
Olha o caso do Pantera, por exemplo. Durante os anos oitenta, eles eram uma banda "glam" que usavam e abusavam das maquiagens e roupas coloridas, e tinham um vocalista chamado "Terence Lee" (ou algo parecido)... depois, após a entrada de Phil Anselmo, o som virou mais "agressivo". Tanto que é durante os anos que o Pantera existiu, os integrantes se recusavam absolutamente a falar sobre a fase "maquiada" da banda, e só comentavam o Pantera pós-Cowboys From Hell.
No Judas Priest também ocorreu algo legal. Rob 'Metal God' Halford saiu da banda no começo dos anos noventa, e em seu lugar entrou Tim 'Ripper' Owens, um fanático por Judas Priest, que teve sua trajetória retratada no filme "Rock Star. Ripper gravou dois álbuns de estúdio, e dois ao vivo com o Judas. Ripper se consagrou como vocalista do Judas, e foi muitíssimo bem aceito pelos fãs. Mas é aquela coisa... a Rob Halford o que é de Rob Halford. Mais cedo ou mais tarde, todos sabemos que isso aconteceria um dia.
Vamos para o metal extremo... o Cannibal Corpse. O Cannibal Corpse trocou de vocalista após quatro álbuns de estúdio, e o então "novo" vocalista, hoje já tem seu espaço conquistado. O Cannibal é um caso único em que não há brigas... não se vê fã brigando com outro porque um prefere Chris Barnes, e o outro prefere George Fisher. George, o substituto, conquistou seu espaço de forma brilhante, chegando ao ponto de até os que preferem Chris Barnes não desejarem a saí da dele da banda para a volta de Chris.
Há milhares de casos que poderiam ser comentados... mas a conclusão é: não é fácil ser "o substituto", ou você se consagra e vira Bruce Dickinson ou Phil Anselmo, ou você se fode e tenta se salvar como Blaze Bayley e Gary Cherone.
Na foto: Gary Cherone e Eddie Van Halen em algum show da turnê do Van Halen III.
XD

